Tratava-se de mais uma noite na cidade de São Paulo no meio da prostituição, mas quando Jonhy pisou no centro da cidade, seus instintos inocentes não sabiam decifrar o perigo. Atraente e saudável despertava facilmente um olhar no acaso. A imagem da imensurável cidade lhe despertava curiosidades, no entanto, tratava-se de se impor em silêncio a respeito de sua particularidade. Sua mente, extinta de preconceitos, acreditava que atos são reflexos de cada alma, bastaria apenas criar um personagem receptivo a coloquial humilhação.

  As portas estavam abertas à encenação: o prazer estava à venda. Na adolescência a descoberta do sexo tinha valores por sua própria natureza, ao contrário de se tratar de um garoto de programa e conhecedor dos corpos, era sozinho. Havia um encontro habitual no centro da cidade, comentários o fez optar a mergulhar no real pesadelo do sonho. Em meados da noite, o intenso tráfico deslumbrou-lhe pelo número de olhares. Precisava acomodar-se em algum local daquela rua ou, fosse encostado em um carro, entretanto, ficou em pé na calçada esperando o primeiro cliente da noite.

  Adiante havia um grupo de garotos. O modo como eles o observavam deixou Jonhy inseguro bastou eles constatarem que ele estava parado para se aproximarem e perguntar o mais forte do grupo:

- Garoto, o que faz aí?

  Jonhy não escondia o nervosismo diante dos cinco garotos, procurou ser realista.

- Não vejo nada demais, da mesma forma como vocês estou fazendo programa, ganhando o meu sustento.

   Prosseguiu questionando o chefe do grupo:

- Aqui você não pode ficar! Procure outra esquina para ficar.

  Todos concordaram. O território estava marcado. Vendo que qualquer palavra mal dita lhe causaria agressões, preferiu se manter afastado. A rua Rego Freitas, Marquês de Itu, assim como a Vieira de carvalho eram cumpridas e alojavam diversificados personagens da noite. Lá ficou no fim da rua Rego Freitas em frente ao cartório; o modo como as pessoas lhe observavam, transmitia-lhe um certo preconceito, ao contrário, havia aqueles que lhe olhavam com desejo. Tanto os pedestres, assim como os carros que passavam pela rua, poderia ser mais um cliente. Não demorou muito até parar o primeiro carro. Enquanto, o vidro era aberto um sorriso foi sua forma de apresentação. A principio para o primeiro cliente que pegava na rua se acreditava que poderia confiar e entrar no carro. Levaria-o para algum hotel próximo daquele ponto, em outro caso o cliente poderia determinar o local.

- Quanto custa seu programa?

- Cinqüenta reais.

  Com a cabeça, o gesto confirmou que ele entrasse em seu carro e dali seguiam para um destino freqüentado por parte da sociedade. Bastava entrar no carro para conhecer os desejos e fantasias de cada indivíduo. Descobria as preferências sexuais no vasto mercado da prostituição masculina. Na esquina, o grupo se deu conta daquele garoto que havia entrado no carro, não convencido, afirmou Jack:

- Quando ele voltar, não quero vê-lo mais aqui.

  Naquela esquina mais que em qualquer outro local, alguém há mais fazia muita diferença, como se fosse um ciclo interrompido. Para esquecer do ocorrido, uma surpresa: um carro importado havia acabado de pára; a imagem da garota que refletia no deslize do vidro, era linda, reconhecível pela maioria dos garotos, no entanto, seus lábios mencionaram somente um nome:

- Jack, entre no carro!

 Ultimamente, demorava muito mais tempo para que um carro parasse perguntando pelos serviços, mas Leo era um dos garotos que mais saia com os clientes pelo físico, malhado proporcional à altura. Na rua, como nas saunas, pela internet, até mesmo nas boates, os segmentos eram amplos para obter dinheiro e todos admirados pelo prazer e pelo sexo. Estava ao lado de Alex, após ver Jack entrar naquele carro quando a garota lhe chamou.

- A sauna só fecha à meia noite. Tenho mais quatro horas para levantar uma grana. Acho que vou começar a ganhar dinheiro está noite dentro da sauna. Você vem comigo? - indagou Leo.

- Mas, sequer tenho dez reais para pagar a minha entrada para tentar fazer um programa - afirmou Alex.

- Eu te empresto, quando você pegar um cliente, vocês me paga.

  Pegaram um táxi e seguiram para zona sul na mais freqüentada sauna da cidade. Leo fez questão de pagar o táxi e as duas entradas, pois acreditava que em mesmo pouco tempo poderia sair com um dos clientes. Ao lado da piscina havia os armários onde era obrigado guarda as roupas, colocar uma toalha, uma sandália, junto com a chave do armário que se pegava na entrada no ato do pagamento. Como ele era musculoso e alto, logo, ao colocar a toalha, os clientes que passavam comiam aquele corpo com os olhos. Do outro lado da piscina havia uma hidromassagem, algumas mesas e cadeiras, com uma televisão, duchas, banheiro, uma entrada para algumas cabines e outra escada para a suíte de luxo; a primeira escada das cabines de luxo estava ao lado de um lindo jardim e em frente várias espreguiçadeiras e outro banheiro. Seguindo o corredor para a saída, na entrada havia alguns aparelhos de musculação, uma entrada com salas independentes para corte, podologia, massagem, cinema e outra escada para outras cabines. A entrada oposta ficava os armários dos clientes, banheiro, um espelho diante de fotos dos acontecimentos da casa; uma pequena porta separava o contato dos garotos com a administração para marcarem e pegarem as chaves das cabines; a penúltima escada era o acesso mais sadomadoquista do clube: duas salas com arquibancadas com filmes pornográficos, conseqüentemente o ambiente se tornava a própria pornografia que além dos banheiros à porta fechada, existia o quarto escuro que as mãos se perdiam nos toques. A última parte começava ao lado dos armários restrito aos clientes com uma sala exclusiva a eles com televisão, jornais, revistas masculinas e, na saída o bar com as mesas e cadeiras, geralmente ocupadas, as saunas eram separadas por um vidro de onde se viam os mais variados corpos que se molhavam após saírem da sauna e ao lado do bar um palco para as apresentações dos stripers e atrás a última escada que eram as cabines de menor valor.



Escrito por Carlos Carvalho às 17h08
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  Bastaria paciência e um olhar de desejo para que Leo se aproximasse cumprimentando e através de um diálogo convencê-lo a ir a uma das cabines, desde que pagasse o preço estipulado que variava de cinqüenta reais a história mais triste que os convencessem a pagar altos valores por sexo. Havia muita gente, a maioria garotos de programa, mas muitos clientes já haviam ido embora e, aqueles que estavam na mesa, estavam todos acompanhados. Tentou aguardá-los na mureta entre as duas salas de vídeo quando um deles encostou ao seu lado, então indagou Leo:

- Tudo bem? É a primeira vez que vem até aqui?

- Não, quase todas as semanas frequento a sauna. Já havia te visto antes, mas nunca saímos.

- Então, teria a oportunidade agora?

- Quanto você cobra?

- Cinqüenta reais.

- Tudo bem - entregando-lhe a chave, prosseguiu - Pode pegar uma cabine atrás do palco.

  Leo abriu um sorriso, descendo a escada, pediu ao funcionário que lhe desse uma das chaves daquelas cabines, tendo direito ao quite sexo, com camisinha e lubrificante. Antes de passarem pelo bar, curioso, indagou Leo:

- O que você faz?

- Sou comissário de vôo, por isso quase todas as semanas estou em São Paulo.

  Ao passarem pelo bar, presenciou Alex sentado numa das cadeiras conversando com um cliente famoso, não somente dentro da sauna por pagar bem, mas este comandava um famoso site na internet.

  Havia clientes com grande poder aquisitivo, fato que não interviria na opção sexual, por isso procuravam um local discreto.

  Alex entrou na cabine de luxo com o jornalista disposto a ser o ativo na situação, privilegio por se tratar do jornalista visto diariamente num famoso site da Internet, além de determinada emissora. Ligou o ar condicionado e logo tiraram a toalha, enquanto, Leo fazia o comissário de vôo chegar ao orgasmo numa minúscula cabine com direito a ventilador, pois o necessário era fazer o cliente gozar e para gozar também cobrava mais caro. Numa demonstração de sexo capitalista, jogou a camisinha fora, sem nenhuma espécie de sentimento, colocou a toalha de volta, logo estava abrindo a porta da cabine para sair fora.

  - Você me paga lá em baixo?

  - Me espere ao lado do meu armário – combinou o cliente.

  Leo já estava disposto a ir embora, já não suportava permanecer tanto tempo naquele ambiente, já que havia um motivo para ter chegado tarde, haja vista que se preocupava com sua namorada, que fazia um filme pornográfico para determinada produtora brasileira.

  Quando Alex terminou seu serviço com o jornalista, não encontrou Leo, comentaram-lhe que ele havia ido embora. Mas, naquele tempo em que permaneceu dentro da sauna, foi convidado para uma festa de aniversário de um milionário que aconteceria no dia seguinte no próprio clube.

  Dessa maneira transcorria à noite, havia clientes para toda demanda dos profissionais liberais; em algum instante era um carro que parava ou, somente uma entrevista feita. Em seus segmentos, à noite se dividia em partes: o tráfico na rua acima dos quais dois bares eram composto por traficante; o primeiro se resumia para organizar a equipe, nesta ocasião o responsável esperava por seu chefe que lhe traria a mercadoria.

- Binho, está sabendo da nova? - indagou Ralf sentando-se ao seu lado.

- Quanto ao processo boné, quero que essa informação seja passada somente para cada um da equipe.

  Da cerveja colocada em cada copo, surgiram dois homens desconhecidos: um com jaqueta preta de couro e, o outro usava cavanhaque.

- Conhece algum deles? - indagou Binho.

- Recebi informações que o de cavanhaque estava conversando com o Huck minutos antes do enquadro - continuou Ralf furioso. - Sou capaz de furar sua pele se acontecer algo ao meu irmão - num olhar escondido por ambos suspeitos, prosseguiu -, eles não conseguirão ultrapassar três noites.

  O telefone tocava, Binho afastou-se falando em um timbre baixo de voz, nesse momento três putas e aproximaram beijando Ralf no rosto e, gesticulando com os dedos passou pela camisa acenando que estava sujo, enquanto, as atenções de ambos suspeitos estavam concentrada nas garotas, Binho puxou Ralf de lado comentando:

- Negão vem vindo trazendo a mercadoria. Em nenhum momento você se aproxime do carro para não deixar pistas. Você terá a maior surpresa da sua vida, seu irmão está solto. Agradeça a máfia.

  Em instantes como num piscar de olhos, a parati insufilmada cruzou a esquina estacionando ao lado oposto. Sem maior detalhe, Binho cruzou a rua entrando na parati.



Escrito por Carlos Carvalho às 17h08
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  A prostituição estava acontecendo no hotel Grant´s. A primeira vez que Jack e Babi se conheceram casualmente na noite, chamou-se de loucura, cujo local se deu numa das boates mais freqüentada do centro da cidade. Passaram-se dias e, agora estavam diante de uma situação: proporcionarem prazeres. Perante ambos, o cliente que Babi deparou-se, por sua vez queria um garoto de programa. Gordo, usava óculos - típico cliente iludido. - Estavam vestidos, Jack se encontrava beijando o pescoço da prostituta.

- Pare Jack! Vamos cheirar - Exclamou Babi habitualmente movida na maioria das vezes seus encontros havia de impor o uso da droga.

  Jack fez questão de separá-las em fileiras e ser o primeiro a sugar pelo nariz, em seguida Babi, seguido de seu cliente. Em um olhar sombrio da noite, Jack concentrou-se em sua parceira com a fisionomia um tanto quanto estranha; ela se lembrou da conversa da qual é possível infringir a verdade e não ter misericórdia de seus clientes, em um momento deixou escapar o pensamento, entretanto, num outro suas mãos e mente deixaram se levar pela fúria.

Jack, abraçou-a afirmando em seu ouvido:

- Depende de você...

  Sem noções de seu trâmite foi direta:

- Não sei se tenho coragem...

  Tentando acalmá-la com um beijo, concluiu Jack:

- Deixe comigo...

  Pegando-a em seus fortes braços, jogou-a na cama, arrancando-lhe a roupa. entretanto, ela fazia questão de permanecer com as botas que iam até o joelho - ficava ainda mais exitante.  Insinuava ao cliente que, entregue a ilusão cravava o detalhe como aquele garoto permitia que ela degustasse cada saliva de seus lábios acariciando partes intimas de seu corpo. Ambos encenavam um papel totalmente pornográfico, no qual lhe permitiu que fizesse presente. Malicioso, não deixava rastros de suas mãos que invadiam os bolsos da calça, enquanto chupava os seios da prostituta, era apenas uma de suas performances para distraí-lo. Juntou suas roupas aos pertences e, ela que cavalgava sobre o indivíduo, distraía-o. Era de costume carregar consigo comprimidos “boa noite cinderela”, antes prescrevia o valor do furto: celular, setecentos e oitenta reais, adentro cartões de crédito, documentos... retirando somente o dinheiro junto ao aparelho que facilmente venderia no mercado negro. Juntou-se novamente a cena, lutando contra seu ego, numa atitude homossexual daquele homem que sugava sua parte intima lhe deixando cada vez mais insatisfeito; sabia que aquele momento poderia acontecer, afinal, era o preço. Estava quase tudo completo, bastava apenas dominar aquela indesejável situação; prestes a realizar seu golpe final, teve a capacidade de pensar em sua parceira, por não querer envolvê-la em uma suposta investigação. Foi quando ela o observou gesticulando para que pegasse uma bebida, passando os comprimidos em sua mão.

- Vamos mudar de posição – sugeriu Babi. - Estou quente, suando. Sacie essa sede comigo.

  Discretamente ingeriu o primeiro gole, antes de introduzir os comprimidos ao passar o copo. A vitima prosseguia bebendo entre mudanças de posições e pela impiedosa sugestão de Jack que o fazia beber cada vez mais. Foram necessários quinze minutos para presenciá-lo parando num estado de inconsciência profunda. O espanto de Babi lhe tampou a boca sem deixar vestígios quando ambos cruzaram a porta.

- Um momento! – advertiu Jack segurando-lhe o braço. - Acalme-se! Na saída do hotel não podemos deixar suspeitas.

  Não era a primeira vez que Jack cruzaria a recepção, cinicamente estampado num sorriso. Cruzaram a entrada e na próxima que entraram, deslocavam-se dentro de um táxi sem rumo... O próximo a cruzar a entrada do hotel foi Jonhy, coincidentemente estava no mesmo hotel, no entanto, saiu ileso sem culpa por haver feito o serviço que lhe foi proposto; nada mal para primeira noite. Caminhava com a ideologia que poderia voltar a ver os mesmos clientes, caso não fosse desonesto pelo combinado, sinal que na rua nunca faltaria cliente, sempre teria seus cinqüenta reais pelo programa. Cruzava a Amaral Gurgel entrando num bar na próxima esquina, gastando seus primeiros reais ao comprar uma cerveja. Sentou-se sozinho, rapidamente observou o fluxo de prostituição na rua das travestis ao ingerir o primeiro gole. Da janela contava a dedo, eram oito e em meados do tempo apareciam outras mais. Algumas entravam no bar, mas ele não fazia questão de observá-las, bebeu e se retirou. Seguiria de volta para seu ponto, quando alguém lhe interrompeu.

- Garoto, você não é o mais novo membro do grupo?

- Se quer te conheço.

- Eu também não os conhecia – aproximou-se cumprimentando. - Me chamo Rodrigo, posso lhe apresentar a todos, mas é necessário ser humilde, convidá-los para usar uma droga. Você está afim de se infiltrar no grupo?

  Jonhy se deu por convencido.

- Que tipo de droga eles usam?

- Das mais variadas. Você é usuário?

- Já experimentei.   

- Me empreste dez reais. Já fumou maconha?

  Jonhy lhe cedeu 10 reais, seguindo-o pelas ruas conheceu a “boca”, onde vendia todo tipo de droga, agora, aproximava-se do grupo.

- Firmeza! Então, esse aqui é meu primo, ele vai ficar aqui para descolar algum... Meu primo fez questão de descolar um “baseado” para por na roda.

  Jonhy cumprimentou cada qual, enquanto um deles pedia pra dechavar, o outro já se disponibilizou para bolar. Rodrigo puxou Jonhy de lado e falou:

- Então, não se preocupe. Agora você pode chegar e ficar onde quiser. De verdade, já tenho seis anos aqui nessa rua. Quer ganhar dinheiro? Selecione bem as suas amizades.

  A expressão do mais novo membro do grupo era de espanto, mas tentou transparecer. Rodrigo arrastou-lhe de volta e entre fumaças e historias, descobriu que não era tudo perfeito; não somente é formado um grupo de sexo, como vem acompanhado de furto e das situações mais aterrorizantes que poderia se imaginar. Descobriu os personagens criado por cada um, dando-lhe um novo nome, então, criou um próprio nome, um novo personagem; por fim, dependia das ruas por meio que houvesse dinheiro, chamadas “fitas” o lucro poderia ser maior.

  Por meios, a polícia acionada pela maioria dos fatos, rondava e, neste momento dirigia-se ao cruzamento da rua Rego Freitas com a Marquês de Itu. A rotina era comum: desciam apontando as armas, puxando nome por nome, entretanto, desta vez um policial alertou ao grupo:

- Estamos cansados de receber denúncia contra vocês. Alguém de vocês deixaram mais uma vítima sem seus pertences – dando um tapa no rosto de cada um, antes de expulsá-los, ameaçou. - A próxima levaremos todos à delegacia.

  Todos tomaram rumo: uns voltavam para seus lares, outros gastavam o valor que à noite lhes proporcionaram, já os mais corajosos esperavam alguns minutos e voltavam para o mesmo local. Desta forma a noite na esquina prosseguia; não há provas, nem flagrantes, não haveria prisão.

  Jonhy optou em voltar para o seu apartamento que alugara, olhava-se diante do espelho a marca causada em seu rosto. Pagava pela culpa dos outros. Sua personalidade não seria mais a mesma; a forma de trabalho na rua seria lucrativa, sobretudo perigosa. Olhar-se, deprimia-lhe cada vez mais, num instante deitou-se e seus olhos fechados lhe transportou ao sonho: estava parado em seu ponto, um carro dirigido por uma mulher desconhecida que lhe chamava por seu novo nome, Juan. As sirenes da polícia piscavam, entre ambas imagens a interrupta imagem do rosto de Jack, o qual ainda não sabia o nome, mas lhe dizia furiosamente: “não quero você nesta rua”. Então acordou assustado no silêncio da noite

Escrito por Carlos Carvalho às 17h06
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  A noite continuava. Em cada rua, um setor aliado a noite e o trafico era desmontado, conforme a revitalização que o centro evoluía.

- A noite passada me fez perder toda reserva que restara. Quero ver ação. Ou, você não é capaz de comandar a noite? – indagou Negão, cravando-se nos olhos de Binho.

- Não se preocupe, o código do boné despistara-los das vendas.

- Quem me garante?

- Começaremos distribuindo nas “bocas”. Na presença dos “gansos”, o boné será colocado pelo “laranja” que trafegará pelo circuito passando “pano” para os traficantes.

- Quem seria o “laranja”?

Com um olhar convincente, definiu:

- Já tenho um candidato.

  Desceram da praça Roosvelt entrando de volta no carro. Acendendo um cigarro, ofereceu ao traficante solto na noite passada, questionando-lhe:

- Agradeça ao crime por poupar sua pele dentro do “xadrez”. Dentro do meu grupo nunca deixei ninguém falando, embora, favores sejam retribuídos.

  Assustado, indagou Café:

- O que vocês estão planejando desta vez?

- Já lhe explico...

  Passaram em cada “boca” deixando a mercadoria com o seguinte aviso: O código do boné está ativo.

- Café? – indagou seu irmão que não o viu desde a noite passada. Abraçando-lhe ao sair do carro, prosseguiu. - Jamais me perdoaria...

  Interrompendo-o disse Café:

- Entrei nessa vida por conta própria, se existe um culpado...

  O celular de Binho tocava.

- Alô!

- Salve Rubinho! Aqui é o Jack. Chegou a mercadoria?

- Está na mão.

- Estou hospedado no Hotel Hilton, apartamento 61. Quero dez convites.

- Em dez minutos lhe entrego.

- Firmeza. Estou aguardando.

Abrindo sua mochila, Binho retirou o boné, colocando na cabeça de Café, assim afirmou:

- O tráfico vai começar...

  Binho pegou uma carona com Negão até o Hotel. Chegando, foi a Recepção, onde ligou para o quarto.

- Tenho certo receio de descer depois do que fiz – disse Jack.

- Eu posso descer, apenas avise a ele que eu estarei descendo – disse Babi.

  Jack concordou. Quando Babi chegou na Recepção, Binho advertiu:

- Estou com o carro lá fora. Para não deixar suspeitas, é melhor que você vá até o carro comigo, assim não deixamos pistas.

  Ambos saíram e entraram no carro. Negão impressionado pela beleza da mulher que via, indagou:

- Quem é ela?

- Ela está acompanhada com Jack, ele não quis descer. Acho melhor darmos a volta no quarteirão.

  Quando voltaram, Babi entrou de volta no Hotel, enquanto Negão indagou novamente:

- Quem era ela?

- Não passa de uma prostituta. Por quê? Ficou interessado?

  Negão nada respondeu, deixando Binho no mesmo local que saíram.



Escrito por Carlos Carvalho às 17h06
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Exuberante, Babi entrava no apartamento 61, rastreando a sedução deixada desde a saída até retornar e retirar dentre seus seios a droga. Alisou seus longos cabelos loiros, deixando a droga sobre a mesa, obscena em sua indagação:

- Você age desta forma com todos seus clientes?

- Já agi pior. Raro foram aqueles que escaparam. Á propósito qual foi seu preço? – indagou Jack.

- Meu preço não vem ao caso.

- Aposto que foi bem mais que cinquenta reais. Sou do tipo de pessoa que sempre agi pela ordem. Trezentos e noventa reais seus, trezentos e noventa reais meus – jogando o celular sobre a cama, prosseguiu.- Ainda mais duzentos reais da vendo do celular para cada um.

- Não tenho nada contra, apenas quero o meu – aproximando-se, deslizou sua jaqueta pelo seu corpo, empurrando-o sobre a cama, pôr –se a despi-lo. - Faça comigo aquilo que você não pode fazer.

  O prazer agora era mais forte que qualquer discussão que pudesse surgir. Suas mãos que apertava aquele corpo feminino, mesmo com aquelas botas, enfeitiçava-o a cada suspiro no instante em que seus corpos se juntaram.

  “Não sabe o que lhe aguarda, garoto!” – pensou Babi.

  Embolavam-se pela cama desprezando a razão de serem pagos, sobretudo, ambos queriam um ao outro. Rapidamente Babi vestiu seu corpo, sem estender muito do seu tempo ao seu lado.

- Tenho dupla personalidade. Os deveres me chamam.

- Mas...

  Interrompendo-o, o beijo que ela mandou, deixou-a ausente ao fechar a porta. Saiu do hotel diante de uma ligação, desta vez, não se tratava de mais um cliente, senão de alguém que lhe fizera uma proposta.

- Policial Alemão? Sou eu, Babi. Tenho notícias a respeito da sua proposta. Encontre-me ao lado do Love Story.

  Passaram-se alguns minutos e ele chegava em um Santana insulfilmado. Entraram em uma estreita rua, então disse Babi:

- Tenho notícias de quem comanda o furto no Centro.

- Tinha certeza que você era a única capaz de se envolver no jogo. Negócios são negócios, está em mãos o combinado.

  Com cem reais em sua mão, descreveu Babi:

- Forte, olhos castanhos, cabelos lisos... seu nome é Jack.

  Disposta a entregar um dos problemas sociais causados pelos furtos no centro, ela só queria pegar o dinheiro estipulado e sair fora. Ironicamente indagou o policial:

- Tem compromisso para esta noite?

- Não me envolvo com meus clientes. - Declarou Babi  saindo do carro.

  Leo já estava na rua, caso surgisse um cliente, não evitaria o trabalho. Mas, sobretudo, esperava por sua namorada que sairia de uma filmagem para encontrá-lo na rua. Ao parar um táxi naquela rua, presenciou-a descendo e se aproximou recebendo um beijo.

- Como está a rua? - indagou Verônica.

- Continua sinistra...

- Tenho boas notícias. Amanhã farei uma nova filmagem. Por que você não tira umas fotos para a agência para que possam selecionar os atores e lhe chamar?

- Para me expor ganhando duzentos reais? Já lhe falei que as produtoras não reconhecem seus atores por serem mal pagos, enquanto, eles se enriquecem pelas nossas imagens.

- Concordo que eles não pagam o mesmo valor que pagam as garotas. Mas, quem está na chuva é para se molhar.

- Já sabe com quem irá fazer o filme?

- Ainda não. Preciso acertar os detalhes com o agenciador, o apartamento dele fica aqui no largo do Arouche. Você vem comigo?

- Prefiro te esperar. Quem sabe não surge um cliente.

  Enquanto Verônica se dirigia até o apartamento, Leo subia a rua ao se encontrar com Alex que acabara de chegar da sauna.

- Saiu cedo, não te encontrei após sair com aquele cliente com quem estava na mesa – disse Alex.

- Não tive muita paciência para esperar.

- Aqui estão os dez reais que me emprestou - entregando-lhe o dinheiro, escutou o celular tocar. - Alô!



Escrito por Carlos Carvalho às 17h05
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-Alex? Aqui é da agência. Você pode fazer um filme amanhã?

- Qual o gênero?

- O filme é com uma mulher e uma travesti.

- E qual o valor?

- Duzentos e cinqüenta reais. Você pode está ao lado do Love Story amanhã às sete da manhã?

Após uma pausa para definir, confirmou Alex:

- Pode confirmar minha presença.

- Dinheiro? - indagou Leo.

- Uma filmagem logo cedo.

- Coincidência, a Verônica também fará uma filmagem amanhã.

- Um detalhe, essa gravação será com uma mulher e uma travesti.

- Sinceramente, já fiz filmes de todos os gêneros, mas chegou um momento que não suportava mais me ver estampado nas locadoras e nas bancas de jornais por tão pouco.

- Já tenho outra concepção. De qualquer forma não vou poder ir à festa amanhã que acontecerá na sauna.

- Que festa?

- O aniversário de um dos clientes mais ricos do clube: o rei do mate. Convenhamos que os garotos com os quais ele sai, recebem dez vezes mais do que o valor de um programa, fora aqueles que recebem para estar ao seu  lado. Se eu fosse você, não perderia está festa.

 

  O processo boné despistava a cada momento a venda de drogas. Já eram totalizados, vendido cinqüenta papelotes de cocaína, e trinta buchas de maconha. Naquela área não se vendia crack; desta forma o tráfico se aliava à facção que vinha dos presídios. A venda mal havia se estabelecido das quatro horas noturna, apesar da decorrente espionagem da policia.

- Alemão, acho que conseguimos minimizar o trafico nesta noite – afirmou Huck ao encontrá-lo de volta na esquina expiatória.

- Você é quem pensa. Acabaram de me passar pelo rádio. Estão desmanchando todos os hotéis da cracolândia. Acabo de pegar a informação de um furto feito dentro de um hotel.

 - Honrarei minha farda e a segurança pública. Vou prender a cada um desses suspeitos.

  O celular do Alemão volta a tocar.

- Quem e?

- Sou eu, Bruninho. Já roubaram dois carros na rua. Está de volta as ruas o Baiano que, acabou de sair da prisão. Você passará aqui para deixar o valor da espionagem?

- Já passo aí para te deixar o dinheiro – Prosseguiu Alemão desligando o celular .- Estou surpreso pela informação. De que adianta prendê-los, se eles saem piores? Preciso aumento de salário – ironizou Alemão.

- Qual é o problema desta vez? – indagou Huck.

- Está de volta um dos ladrões de carros do centro.

  Desta forma, a investigação repercutia na fórmula corrompida pelas denúncias pagas aos informantes. Seria possível chegar até o autor do delito, entretanto, havia um erro cometido pelo mesmo: na noite seguinte estaria posto no mesmo local.

  A noite estava chegando ao fim. Para alguns a esperança predominava, ficariam esperando pelos últimos protagonistas do sexo, ao contrário, para Gabriel aquela noite seria diferente de todas as outras: a depressão ocupava-se de torná-lo inútil. A rotina do percurso de volta a casa desta vez soava de forma revoltante. Pagava por uma moradia num dos melhores flat‘s da região. Pela angustia da solidão que sentia, senão pelos cinco anos noturno incompensáveis. Desde o elevador até o décimo sexto andar, a vista da cidade lhe conspirava infinitas culpas pela solidão, fosse pela dificultosa época promovida pelo comércio de sexo ou, por nunca ter adquirido afeto por ninguém, doando-se integralmente a prostituição. Diante da situação em que se encontrava, havia inúmeras coisas a pensar: família deixada para trás, amizades passageiras, as más companhias, mas o principal motivo se registrava diante de um suicídio. Jovem, perdia a expectativa de ver surgir um novo dia. Aflito, não conseguia vencer a maléfica impressão que havia chegado ao fim. Não haveria saída pela porta, há não ser por aquela de acesso à sacada por onde observava os carros trafegarem. Observou, também, a janela de uma das prostitutas mais lindas daquele flat; das vezes que a encontrava na piscina e, na academia Ao se curvar diante de um corajoso impulso, pensou pela ultima vez:

  “Valeu a pena.”

 Por si, a gravidade tratou de enviá-lo ao desconhecido. Surgia a partir de sua vontade o medo ou, a coragem por aqueles que permaneceriam a continuar o ciclo da prostituição.  A noticia passou a ser repassada após Bruninho receber cinqüenta reais mediante a informação passada ao policial Alemão, que disse num teor despreocupável:

- Acabou de se suicidar um garoto de programa chamado Gabriel. Espero que você não se ocupe a fazer o mesmo.



Escrito por Carlos Carvalho às 17h04
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  Perante, ao que escutou, alguém a menos era sinônimo de lucro. Viciado, fazia michê para sustentar o vício; não havia hora para se limitar ao crack. Ao trocar a noite carioca pela paulista, transformou-se numa espécie dependente da droga. Ao se ingressar, vendeu seu carro, entregando seu trabalho recompensável ao vício. De tal forma seguia em direção ao espaço chamado de cracolândia. Não estava sozinho pelo caminho, neste encontrava com outros usuários que lhe davam a seguinte informação:

- A policia acabou de invadir alguns hotéis.

  Mas nada lhe amedrontava, o vicio superava o medo nas escuras ruas, tal informação o fez tomar a decisão de optar a ficar num determinado hotel da avenida Duque de Caxias. A aterrorizante entrada era acionada pelo porteiro que se encontrava na pequena recepção do hotel. Já ao subir, o fluxo de pessoas era constante descendo as escadas. A mulher sentada ao lado da recepção comandava a distribuição.

- Quantas? Perguntou a garota.

- Quatro - Respondeu Bruninho.

  Pagando cinco reais pelo período de meia hora no quarto. Ocupou-se em um dos quartos, preparando-se para entregar sua alma ao perdido mundo. Enquanto, num outro quarto ao lado, estava uma garota aflita que escutava a porta ser batida.

- Quem é?- indagou a garota.

- Messias!

  Aquele nome soava de forma que a fez querer fugir naquele exato momento, jamais abriria aquela porta. A divida que devia para ele não poderia ser paga. Sendo que as trinta pedras de crack deixadas em sua mão para a venda, foram usadas pelo seu vício, agora decidia pular a janela.

- Abre a porta! – gritou messias batendo na porta.  Impaciente, decidiu força a abertura. - Que está pensando em fazer?

  Prestes a pular da janela, negou a garota:

- Nada!

- Onde estão as drogas e o dinheiro? – interrogou Messias puxando-a da janela e jogando-a sobre a cama.

O silêncio deixado pela garota obrigou-o a sair do quarto, sendo que em poucos segundos voltou furiosamente segurando um facão.

-Vou perguntar pela última vez. Onde estão as drogas?

  Sem alternativas, a garota conseguiu cruzar a porta gritando, mas foi impossível evitar sua decapitação. Bruninho, assustado pelo grito, cruzara a porta naquele exato momento presenciando a morte diante de seus olhos, deixando apenas um vulto fugindo do assassino tentando sair do hotel.

  Enquanto os fatos se passavam, Baiano, acabava de amordaçar sua vitima, que psicologicamente era advertida:

- Tem amor pela sua vida? Então obedeça minha exigência. Quero a senha dos cartões.

  A vítima balançava a cabeça concordando. Baiano não convencido persistia em concluir seu plano; abriu a porta do quarto encontrando no corredor, Kewin.

- A rua está embaçada - afirmou Kewin encostado na parede.

- Quer ganhar um dinheiro? - indagou Baiano

- Do que se trata?

  Baiano levou-o para dentro do quarto e disse:

- Acabei de seqüestrar um cliente. Preciso que você o segure, enquanto vou ao caixa eletrônico sacar o dinheiro.

  Mas, após Kewin concordar, prossegiu Baiano amedrontando seu cliente:

- Vou tirar está fita da sua boca, desde que você me passe a senha e as letras do cartão.Caso me depare com a falsa senha, meu colega se encarregará de atirar em seus miolos. Portanto, colabore com crime.

  Diante da decepção de sair com um garoto de programa, inverteu-se num encontro com um ladrão que lhe amedrontava com uma arma branca. Era uma situação de vida ou, morte. Optou pela vida mas generalizando os quais não praticavam atos criminais em um programa, senão vendiam seus corpos como instrumento de sua profissão. Desta forma, dava-se continuação ao seqüestro. Tendo em mãos as senhas, deixou seu parceiro vigiando a vitima, enquanto seguia com o carro da vitima retirando do caixa eletrônico o máximo possível: seiscentos reais. A abrangente noite ligava cada setor, foi ao se lembrar que determinado hotel passava o limite de quinhentos reais, independente do titular, sendo possível aumentar a soma do delito.

  Kewin fumegava de nervoso e desespero que a porta fosse aberta pela policia diante da vítima que continuava amordaçada na cama, quanto escutou a porta ser batida.

- Kewin, sou eu Baiano.

- Conseguiu? – indagou Kewin fechando a porta.

- Não deixo falhas – prosseguiu Baiano jogando o cartão sobre a vítima. - Escute seu homossexual, só não te roubo seu carro, pois a minha noite se deu por completa. Tenha mais sorte da próxima vez.

  Assim saíram deixando a vítima amarrada sobre a cama...



Escrito por Carlos Carvalho às 17h04
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